Autoria do texto: Jef

Quando eu era bem novo, uma criança mesmo, meu Pai me pediu um beijo em seu rosto… Eu neguei porque me falaram que homem não deveria beijar outro homem. Papai, então, me olhou nos olhos e perguntou: “Você não ama o papai?”

Naquele momento, ele me ensinava uma das maiores lições de minha vida: o Amor.

Aos meus 7 anos de idade, o meu pai foi tragicamente assassinado. A sua partida inesperada deixou uma ferida de grande sofrimento e revolta, para todos ao seu redor, inclusive naquele que ainda nem havia chegado. Sofrendo no meio de todo esse alvoroço, sem entender nada, sou afastado dos meus amados irmãos.

No resto de minha infância e adolescência, vivi um mundo onde eu sentia o amor, mas não sabia para o que servia. Um mundo onde a massa diz não acreditar nele, mas torce para a realização da paixão impossível dos filmes e novelas. Diziam que o amor doía. Demonstrar amor era sinônimo de fraqueza.

Os relacionamentos eram difíceis, os amigos, também. Eu também era. Amar era difícil, não podia sentir um afeto que eu já me entregava de corpo e alma. MEU DEUS, que carência!

Em meio a toda essa confusão, talvez como um suspiro de puro amor próprio, eu resolvi que iria curar essas feridas.

Reencontrei meus amados irmãos após 17 anos.  Saber mais sobre aqueles que meu pai fez questão de me ensinar a amar. Retomar esse contato me trouxe muita sabedoria, maturidade e paz. Pela primeira vez, eu conhecia aquele lendário amor incondicional, um amor sem julgamento, um amor de pura aceitação, de acolhimento, de sinceridade.

Nossa, a vida é realmente bela. Hoje eu sei como é me amar, amar a minha vida, amar meus amigos, amar minha família, amar os meus irmãos, amar a minha mãe, amar o meu pai.

Hoje é mais fácil aceitar o novo, é mais fácil aceitar o passado, é mais fácil ultrapassar os obstáculos da vida.
Hoje a tristeza pode ser tão fortalecedora quanto a sabedoria.

Quebrar parte desses estigmas foi o suficiente para mudar meu abraço, meu beijo, meu aperto de mão.

Dizer “eu te amo” é libertador.

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